8.6.10

Por vezes sentimo-nos perdidos. O que em tempos parecia ser o correcto agora já não o é. Para nós continua a ser mas para os outros não. Parece que algo mudou e nós continuamos ali, estáticos, imutáveis, sem perceber as mudanças à nossa volta. Desejamos que tudo fique igual ou que tudo fique melhor e andamos tão obcecados com essa ideia que não entendemos que algo possa ficar diferente. As palavras que dizemos já não são as mais correctas mas não compreendemos que está na hora de trocá-las por olhares. Olhares mudos que expressem o mesmo que pensamos mas que não provocam qualquer som. Um simples silêncio que diga tudo. E no entanto, quando finalmente entendemos que é esse silêncio que é necessário tudo parece mudar novamente. E os olhares mudos, surdos, já não bastam. É novamente preciso algo mais. Uma palavra quente e acolhedora que encha o coração de alguém e que nós até temos pronta para lhe transmitir mas apenas ainda não percebemos que chegou a altura de o fazer de novo.

«Estranhamente, sinto-me perdida por este caminho que segue sempre a direito.»

28.5.10

«Um dia cada um de nós aprende que os sonhos não são apenas sonhos, se não desistirmos deles até se acabam por realizar.»

12.5.10

- Porque insistimos nós em achar que a verdadeira felicidade não existe? Ou se existe é inatingível, porquê?
Ela é bem real. Se não o fosse nunca conhecerias o sentimento de tristeza. Nunca tinhas tido um termo de comparação, um degrau mais elevado, porque haverias de achar que o que sentes em determinado momento é tristeza? Estes dois sentimentos estão intimamente relacionados. Sem um não há o outro porque não consegues definir felicidade sem sentir tristeza.

- Mas e aqueles que pensam que nunca mais podem ser felizes?
Enganam-se, profundamente. A felicidade está a cada esquin, só tens que procurá-la. E claro, lutar por ela. Ela não está simplesmente à espera que chegues perto dela e a leves para casa. Antes, pelo contrário. Foge de ti e faz-te correr. Mas quando a apanhas dás-lhe muito mais valor. Então descobres que ela fica contigo, mesmo nas alturas em que parece ter ido embora, há-de voltar. Volta num dia de sol, volta no olhar de uma criança, volta num sorriso que te é oferecido. Mas volta. Porque é real e está ao teu alcance.

4.5.10

O percurso da tua vida é como caminhar num deserto. Ao princípio é extremamente fácil. Tens toda a tua força, achas que vais rapidamente chegar ao fim, sem dificuldades, basta manter um certo ritmo. Aos poucos, vais começando a sentir-te cansado, mas nada de mais. Até que surgem as miragens. Ao longe parece-te teres achado a felicidade, mas quando por fim lá chegas não a encontras. Continuas cansado, com fome e sede, mas vais ter que continuar a andar. Não queres, de maneira nenhuma, desisitir já. Segues a tua viagem sempre no desconhecido. Não sabes o que vem a seguir por isso avanças, ansioso mas com cautela. Ao fim de algumas miragens sentes-te farto de andar por ali. É então que avistas algo paradisíaco, um verdadeiro oásis no meio do nada. Receoso de que seja apenas outra ilusão, caminhas sem grandes esperanças. E, para tua admiração, este não é outro devaneio da tua mente. É real e está diante de ti. Durante uns dias vives como um rei. Tens ali tudo o que precisas e do qual estiveste privado por alguns tempos. Tens comida, tens água. No meio de um deserto bastam-te para estares bem. Mas com o passar do tempo queres mais, aquilo já não te basta. Então, de novo cheio de coragem e energia, partes à descoberta. Passas por tudo o que já tinhas passado: cansaço, miragens, fome, sede. Mas desta vez sentes-te também arrependido. Por teres sido ambicioso, por teres saído de onde estavas bem. Agora já não tens a força de vontade de anteriormente e apetece-te mesmo acabar com toda esta jornada. Sentas-te, deixas-te cair ali mesmo onde estás, não dás nem mais um passo. Permaneces ali horas, dias talvez, à espera da hora em que o teu corpo decida deixar de funcionar. E vês passar por ti um estranho: um outro caminhante. A escolha é tua, és tu quem decide como acabar esta história. Agarras-te com toda a força à felicidade e vais com ele? Ou esqueces quem és, ou eras, de vez?

28.4.10

E, afinal de contas, o que é um instante? O que é o tempo? Tu regulas-te totalmente por esta noção que nem sabes ao certo o que é. És escravo dos minutos, das horas, dos dias. Vives em função do tempo que há-de vir e és resultado das acções que fizeste num tempo que já terminou. Basicamente, o tempo chamado presente é demasiado curto para teres noção dele no próprio momento. A menos claro, que ele tenha sido já planeado como um futuro. Sim, o mais certo é não perceberes o que tento dizer porque talvez nem tenha grande sentido. Mas a verdade é que o tempo não tem sentido. Vês dias alternarem com noites, sóis alternarem com luas, vês invernos passarem a verões, chuva passar a jardins floridos. E o relógio vai marcando o tempo. Tic tac, tic tac, tic tac. Estás desejoso por um futuro e os ponteiros estão demasiado preguiçosos. Apetece-te gritar-lhes, mandá-los correr, acelerar o tempo. Já olhaste três vezes para o teu pulso e as horas não passam. O relógio marca uma hora, a ti parece-te uma eternidade. Tic tac, tic tac, tic tac. Finalmente chegou a hora que tanto esperáste. Agora os ponteiros acordaram, ganharam vida. Desde a última vez que olháste já passou tanto tempo e no entanto a ti pareceram-te uns meros dois minutos. E, quase sem dares conta, o presente já não é mais presente, já é passado, já acabou. E o relógio não pára. Tic tac, tic tac, tic tac. O que é o tempo afinal?

22.4.10

Só quero mais um instante. Dá-me só um instante. Fica comigo só durante o curto espaço de tempo a que chamam instante.

9.4.10

Há momentos em que só queres esquecer tudo. Queres desaparecer por instantes. Reaparecer num sítio onde nada seja como era há pouco. Uma espécie de paraíso ou mundo à parte que te limpa a mente de tudo porque tens passado. Queres ir para lá passar umas horas, uns dias, uns meses. Quem sabe se não te habituarias tanto àquele local que quisesses ficar lá todo o resto da tua vida. Podes olhar o mar e não ter mais um único ser humano à tua volta, podes observar o pôr do sol por de trás dos rochedos, podes rir à vontade que ali ninguém te vai julgar. Ali as pessoas são outras, as casas são outras, a vida é outra. É uma outra parte de ti que se revela lá. Uma parte alegre, despreocupada, leve.

Já faz tanto calor, já passou tanto tempo. As saudades são cada vez maiores. Não vejo a hora de voltar a olhar para aquelas águas e de sentir de novo aquela areia nos pés.

2.4.10

Abraça-me. Dá-me daqueles apertões aconchegantes que só tu sabes dar. Beija-me a testa, o nariz, as bochechas. Passa a tua mão pelos meus caracóis. Sorri, sorri para mim e mostra-me os teus olhos brilhantes. Agarra-me, leva-me daqui. Faz-me sentir uma princesa que encontrou o verdadeiro principe encantado.

25.3.10

As discussões acontecem com toda a gente. E de certa maneira, até são boas. São uma forma de nos conhecermos melhor, uma forma de nos aproximar ainda mais. Mas que forma horrível de mostrarmos o quanto amamos alguém. Mas a verdade é essa. Discutimos porque gostamos demasiado de uma pessoa. Por acharmos que ela está a errar e querermos que siga um melhor caminho. Ou pelo contrário, por termos demasiada confiança de que estamos certos e não querermos envolver outra pessoa numa coisa que afinal nos está a fazer sofrer a nós. Seja como for discutimos. E no fim, chegamos à conclusão que fomos estúpidos, acabamos finalmente por chegar a um acordo. Abraçamo-nos, beijamo-nos, dizemos palavras de reconforto. E pedimos desculpa. É, muito provavelmente, das palavras mais complicadas de se dizer. O orgulho é um sentimento que se apodera de nós, aos poucos, e impede-nos de nos arrependermos. Mesmo sabendo que fizemos algo errado, não queremos mostrar a nossa parte fraca, o nosso lado mais frágil. Que afinal todos nós temos, mesmo os que o escondem bem na sombra. Esses também ficam felizes quando lhes dizem aquelas palavras mais especiais. E também ficam tristes quando discutem com alguém. Afinal para que temos de discutir? Não podemos simplesmente mostrar o amor que sentimos por alguém através de gestos bons? As discussões magoam, ferem o coração, fazem a alma chorar.

Ontem, alguém me prometeu que tinham acabado as discussões.

10.3.10

Às vezes aparenta estar tudo bem mas tu sabes que não está. Sentes um aperto no coração, uma angústia e não consegues explicar porquê. Apetece-te sair à rua e gritar, aliviar essa sensação. Sentes-te enervado, não sabes o que fazer a seguir, e acabas por dar contigo a olhar para o vazio e a chorar. Não consegues parar durante o que te parecem ser longos minutos. E no fim sentes-te melhor. Chorar é uma coisa boa. Deixa sair todas as mágoas e todas as dúvidas que te enchem a cabeça, te afligem o coração e te impedem de adormecer. Aos poucos essas tensões vão-te abandonando. Sentes-te mais calmo, mais limpo, mais leve. O mundo já não te parece estar tão perto de desabar, ganháste um pouco mais de tempo.

«Então deito-me, bem agarrada à camisola que ainda tem o cheiro dele, de maneira a me sentir um pouco mais segura, e adormeço, finalmente.»