Acabou. A história dos principes e das princesas não teve um daqueles finais felizes de que toda a gente gosta. Não se pode dizer que tenha sido algo completamente mau, mas também não foi bom. Eu ainda te amo, eu ainda te quero, eu ainda preciso de ti. Só que também já precisava de descansar. Já não tinha mais forças para nos manter a ambos de pé, por isso tu falaste e eu simplesmente te ouvi. E fazia perguntas e mais perguntas. Mas não ripostei, não tentei contrariar a tua vontade. Não tinha mais forças para isso. E no fundo, essa era também a minha vontade. Por isso te tinha chamado ali, para conversar. E tu mostraste-me que nada tinha sido em vão, para nenhum de nós. Disseste-me que nunca na tua vida tinhas gostado tanto de alguém. Disseste-mo ao ouvido. E eu chorava, enquanto tu, com todas as calmas, me limpaste cada uma das minhas lágrimas, deixáste-me encostar a cabeça no teu ombro e ouvir o bater do teu coração. Depois levantaste-me e envolveste-me num abraço daqueles apertados e reconfortantes dos que já não me davas à imenso tempo. Parece mesmo que te libertaste de um peso enorme que não te deixava sentires-te bem contigo próprio. Por outro lado, também disseste que não gostavas nada de ter que me estar a fazer isto. "Não vai mudar quase nada. Temos que ver pelo lado positivo. Vamos ser amigos, e dos bons espero." Amigos. Fomos amigos durante apenas 3 semanas. E agora vamos sê-lo novamente. Melhores que antes. Foi apenas o fim de mais um capítulo. Mas a história continua. E sempre que um capítulo acaba há um que se inicia logo de seguida, porque não existe história desenquadrada pelo meio dos capítulos. E a vida não passa disso, de uma história onde és tu próprio a fazer as decisões que indicam o rumo a seguir. Durante o passeio que fomos dar eu tentei conter toda a tristeza que sentia. Prolonguei o caminho o máximo que podia mas chegámos ao ponto onde nos teriamos que separar. E ficamos ali, durante meia hora. "Não me quero despedir de ti, vai ser estranho." Disse-lhe de cabeça baixa. E as lágrimas recomeçaram. E tu limpaste-as de novo. Abraçaste-me de novo e acalmaste-te. Tentaste fazer ir-me embora mas os meus pés não se queriam mexer. E eu sabia que tu não irias enquanto não me visses a afastar-me. Então pedi-te um último beijo, que já tinha recusado anteriormente. Soube tão bem. E no entanto só consegui pensar que era o último, não iria haver mais daqueles. Beijei-te a bochecha e sem dizer mais nada virei costas e segui o meu caminho para casa. Olhei uma única vez para trás.
24.7.10
14.7.10
Hoje não quero chorar, já chorei o bastante. É incrível como as lágrimas ainda não se esgotaram ao fim de tantas vezes. Mas mais incrível é continuar a chorar, sempre pelo mesmo. E continuar a deixar que o mesmo me fira o coração e alma, sempre da mesma forma. Mas não vou desistir, não vou parar de lutar. O que sinto é demasiado forte para o deixar de fazer. O que sinto faz-me erguer a cabeça todas as manhãs e tentar novamente. Consigo pôr um sorriso na cara, mesmo que às vezes seja forçado, e esperar por ti as vezes que forem necessárias. Só que à noite, quando a cabeça não consegue parar de pensar em tudo e me relembra cada momento: os bons, os óptimos, os maus e os péssimos, é inevitável que as lágrimas me escorram pela cara e que os meus lábios provem mais uma vez aquele sabor a sal. E assim, apesar de não querer chorar hoje, não consigo impedir de o fazer. :'(
6.7.10
2.7.10
Às vezes é preciso parar de pensar. Pôr o cérebro em stand-bye para que sejas capaz de descansar por todas as noites mal dormidas, por todos os planos impossíveis já pensados. Às vezes é preciso cantar, mesmo que não te apeteça. Deitar algo cá para fora para que não se acumule tudo lá dentro e entres em perigo de explosão. Às vezes é preciso deixar de prestar atenção a tudo o que se passa à tua volta. Olha apenas para as coisas boas, aquelas que te fazem sorrir em qualquer situação. Ignora as que te fazem ficar carrancudo, pensativo, mal humorado. É preciso agarrares-te a essas coisas boas e viver uma vida feliz, mesmo que por momentos seja tudo uma ilusão. Mesmo que o mundo continue cruel e hipócrita. É preciso criares uma espécie de mundo à parte, onde só vá quem tu quiseres, onde só te lembres do que quiseres. Às vezes é preciso pensar que o mundo vai terminar amanhã e escrever uma lista infindável de coisas que queres fazer antes que o tempo se esgote. É preciso fazer um esforço por cumpri-las, uma a uma, e aproveitar ao máximo a sensação de um desejo concretizado. Às vezes é preciso lembrares-te de quem eras e fazer uma comparação com quem és agora. Às vezes é preciso mudar algo que está mesmo à frente dos teus olhos. É preciso voltares a ser tu próprio.
15.6.10
Os teus olhos hoje estavam límpidos e brilhantes, serenos, calmos. Já não me olhavas com raiva mas com ternura. Já me abraçavas, já me enchias de beijos outra vez. Posso dizer que o medo que tinha atenuou-se bastante. Senti-me recolhida de novo nos teus braços, muralha inultrapassável e que não pode ser derrubada. Senti-me feliz outra vez. :')
13.6.10
Continuo perdida. Preciso de um mapa, um conselho, um objectivo, um lugar certeiro para onde ir. Já não sei se ande para a frente, para trás ou se fique no mesmo sítio. Estacionária. Esquecendo o passado e o futuro e pensando só no presente. Mas o presente não faz sentido nenhum sem todo o passado que vem atrás. E todo esse passado não faz sentido nenhum sem ti. Eu sei que te quero, que preciso de ti, és essencial. Mas a verdade é que me estás a deixar cada vez mais e mais assustada. Essas tuas atitudes que me deixam tonta, essas tuas palavras que magoam mais que qualquer arma e essa tua incerteza que me fere por dentro. Essa incerteza que me leva a imaginar mil situações possíveis e na minha cabeça deambulam mil questões que o coração quer esclarecer mas que a boca não consegue pronunciar. E as dúvidas permanecem, os receios aumentam e a ferida alarga-se cada vez mais. E por muitas vezes que tu digas que está tudo bem e para eu ter calma, é impossivel. Porque logo no momento em que me deixas eu consigo pensar em tudo menos que está tudo bem. Pelo menos eu não me sinto bem. Leio as primeiras mensagens, vem-me tudo à cabeça e não acredito como podes sequer ponderar em deitar tudo isto fora. Todas as memórias, todos aqueles momentos que nos marcaram e que nunca mais vão ser vividos com mais ninguém. É de ti que eu preciso, é a ti que eu quero, a ti que eu amo. Não quero ninguém melhor. Não mereço ninguém melhor. Simplesmente amo-te demasiado para querer alguém mais. :s
8.6.10
Por vezes sentimo-nos perdidos. O que em tempos parecia ser o correcto agora já não o é. Para nós continua a ser mas para os outros não. Parece que algo mudou e nós continuamos ali, estáticos, imutáveis, sem perceber as mudanças à nossa volta. Desejamos que tudo fique igual ou que tudo fique melhor e andamos tão obcecados com essa ideia que não entendemos que algo possa ficar diferente. As palavras que dizemos já não são as mais correctas mas não compreendemos que está na hora de trocá-las por olhares. Olhares mudos que expressem o mesmo que pensamos mas que não provocam qualquer som. Um simples silêncio que diga tudo. E no entanto, quando finalmente entendemos que é esse silêncio que é necessário tudo parece mudar novamente. E os olhares mudos, surdos, já não bastam. É novamente preciso algo mais. Uma palavra quente e acolhedora que encha o coração de alguém e que nós até temos pronta para lhe transmitir mas apenas ainda não percebemos que chegou a altura de o fazer de novo.
«Estranhamente, sinto-me perdida por este caminho que segue sempre a direito.»
«Estranhamente, sinto-me perdida por este caminho que segue sempre a direito.»
28.5.10
12.5.10
- Porque insistimos nós em achar que a verdadeira felicidade não existe? Ou se existe é inatingível, porquê?
Ela é bem real. Se não o fosse nunca conhecerias o sentimento de tristeza. Nunca tinhas tido um termo de comparação, um degrau mais elevado, porque haverias de achar que o que sentes em determinado momento é tristeza? Estes dois sentimentos estão intimamente relacionados. Sem um não há o outro porque não consegues definir felicidade sem sentir tristeza.
- Mas e aqueles que pensam que nunca mais podem ser felizes?
Enganam-se, profundamente. A felicidade está a cada esquin, só tens que procurá-la. E claro, lutar por ela. Ela não está simplesmente à espera que chegues perto dela e a leves para casa. Antes, pelo contrário. Foge de ti e faz-te correr. Mas quando a apanhas dás-lhe muito mais valor. Então descobres que ela fica contigo, mesmo nas alturas em que parece ter ido embora, há-de voltar. Volta num dia de sol, volta no olhar de uma criança, volta num sorriso que te é oferecido. Mas volta. Porque é real e está ao teu alcance.
Ela é bem real. Se não o fosse nunca conhecerias o sentimento de tristeza. Nunca tinhas tido um termo de comparação, um degrau mais elevado, porque haverias de achar que o que sentes em determinado momento é tristeza? Estes dois sentimentos estão intimamente relacionados. Sem um não há o outro porque não consegues definir felicidade sem sentir tristeza.
- Mas e aqueles que pensam que nunca mais podem ser felizes?
Enganam-se, profundamente. A felicidade está a cada esquin, só tens que procurá-la. E claro, lutar por ela. Ela não está simplesmente à espera que chegues perto dela e a leves para casa. Antes, pelo contrário. Foge de ti e faz-te correr. Mas quando a apanhas dás-lhe muito mais valor. Então descobres que ela fica contigo, mesmo nas alturas em que parece ter ido embora, há-de voltar. Volta num dia de sol, volta no olhar de uma criança, volta num sorriso que te é oferecido. Mas volta. Porque é real e está ao teu alcance.
4.5.10
O percurso da tua vida é como caminhar num deserto. Ao princípio é extremamente fácil. Tens toda a tua força, achas que vais rapidamente chegar ao fim, sem dificuldades, basta manter um certo ritmo. Aos poucos, vais começando a sentir-te cansado, mas nada de mais. Até que surgem as miragens. Ao longe parece-te teres achado a felicidade, mas quando por fim lá chegas não a encontras. Continuas cansado, com fome e sede, mas vais ter que continuar a andar. Não queres, de maneira nenhuma, desisitir já. Segues a tua viagem sempre no desconhecido. Não sabes o que vem a seguir por isso avanças, ansioso mas com cautela. Ao fim de algumas miragens sentes-te farto de andar por ali. É então que avistas algo paradisíaco, um verdadeiro oásis no meio do nada. Receoso de que seja apenas outra ilusão, caminhas sem grandes esperanças. E, para tua admiração, este não é outro devaneio da tua mente. É real e está diante de ti. Durante uns dias vives como um rei. Tens ali tudo o que precisas e do qual estiveste privado por alguns tempos. Tens comida, tens água. No meio de um deserto bastam-te para estares bem. Mas com o passar do tempo queres mais, aquilo já não te basta. Então, de novo cheio de coragem e energia, partes à descoberta. Passas por tudo o que já tinhas passado: cansaço, miragens, fome, sede. Mas desta vez sentes-te também arrependido. Por teres sido ambicioso, por teres saído de onde estavas bem. Agora já não tens a força de vontade de anteriormente e apetece-te mesmo acabar com toda esta jornada. Sentas-te, deixas-te cair ali mesmo onde estás, não dás nem mais um passo. Permaneces ali horas, dias talvez, à espera da hora em que o teu corpo decida deixar de funcionar. E vês passar por ti um estranho: um outro caminhante. A escolha é tua, és tu quem decide como acabar esta história. Agarras-te com toda a força à felicidade e vais com ele? Ou esqueces quem és, ou eras, de vez?
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