A melhor maneira de te sentires vivo é viveres cada momento à flor da pele. Deixares que todo o teu corpo sinta aquilo que está a acontecer em teu redor. Trincares o lábio, ouvires o teu próprio bater do coração e sentires os pêlos arrepiarem-se. A melhor maneira de te sentires vivo é entregares-te totalmente à vida.
17.4.11
23.3.11
15.3.11
Ao contrário do que certos homens dizem, nós não precisamos de nenhum manual de instruções nem somos assim tão complicadas. Nós, Mulheres, temos apenas uma personalidade única e bem vincada. Lutamos contra tudo e todos pois sabemos que assim vamos atingir os nossos objectivos e não desistimos facilmente. Passamos por imensas dores, tanto físicas como psicológicas. Desde pequenas que sonhamos achar o príncipe encantado e tratar de bebés. Possuímos uma imaginação demasiado fértil que nos leva, por vezes, a fazer filmes na nossa cabeça aos quais preferíamos não assistir. Somos sensíveis e amorosas se nos tratam bem, mas também sabemos levantar a voz e dizer umas quantas verdades se forem merecidas. Agarramo-nos muito a cada relação que estabelecemos, seja ela a nível familiar, amizades ou amores. Somos sonhadoras, livres, felizes.
Aquilo que queremos é, no geral, que nos dêm valor. Não pedimos assim tanto. Ficamos contentes a cada palavra e a cada gesto carinhoso pois damos-lhes um significado imesurável. Queremos sentir-nos desejadas, amadas e mimadas. Queremos demonstrações de afecto e do quanto se importam connosco. Queremos que estejam sempre a lembrar-nos das nossas qualidades pois muitas vezes só conseguimos ver os nossos defeito. E, eventualmente, gostamos de ser surpreendidas de vez em quando. De quebrar a rotina com algo que foi pensado exclusivamente para nós e só faz sentido com aquela pessoa. Basicamente, queremos sentir-nos amadas e respeitadas.
10.3.11
Desde crianças que nos tentam incutir uma personalidade. Dizem-nos o que devemos ou não fazer, o que é bom ou mau, o que está certo ou errado. Crescemos num mundo onde nos rodeiam normas, regras, convenções. Tentam moldar-nos segundo um modelo perfeito, demasiado idealista para que alguém o alcance. Querem que sejamos boas pessoas, que nos esforcemos na escola, que lutemos para conseguir aquilo que desejamos. Querem que cresçamos felizes e saudáveis. Que arranjemos um parceiro, casemos, compremos uma casa e tenhamos um ranchinho de filhos. E no entanto, a história do 'e viveram felizes para sempre' não acontece com ninguém. Somos seres humanos, racionais. Temos capacidade de escolha. Capacidade de pensar por nós próprios e criar certas regras só nossas. Por vezes cansamo-nos da rotina da sociedade e simplesmente contornamo-la. De vez em quando temos de correr, gritar, dançar ou mesmo passarmo-nos da cabeça. Temos de voltar a ser crianças e fazer coisas ridículas. Temos de rir à gargalhada no meio da rua mesmo que fiquem todos a olhar. É importante libertar o nosso verdadeiro eu para que não o percamos. Se não o fizermos arriscamo-nos a não encontrá-lo quando formos procurar por ele. Resumidamente, não devemos ser quem os outros querem que sejamos.
Devemos ser nós, com todas as manias e excentricidades que isso possa incluir.
21.2.11
15.2.11
A maioria das pessoas que tem animais de estimação concorda com o facto de que são muito mais puros e verdadeiros que muita gente. Criado contigo desde pequeninos tu viste aquele bichinho crescer bem como ele te viu a ti, à sua maneira. Aprendeu o que esperar de ti e aquilo que mais te agrada para poder agradecer. Conhece as tuas rotinas: a hora a que sais de casa, a hora a que chegas, até a hora a que te deitas. Para ele, tu não és apenas o seu dono, és um amigo, o seu fiel companheiro que o protege e, como tal, também tem que ser protegido. Ele sabe a maneira certa de te mostrar aquilo que pretende. Ele sabe a maneira correcta de te animar nos dias em que estás mais em baixo. E por vezes nem é preciso muito, basta a sua companhia. Como se compreendesse tudo aquilo que se está a passar encosta a cabeça nas tuas pernas à espera de festas e olha para ti com os seus olhos límpidos e brilhantes, como se quisesse que tu lhe contasses os seus problemas. É mais que um cão ou um gato: é o teu parceiro de todos os momentos. Nunca te abandonaria em situação alguma. Se por acaso tivesse que se separar de ti por uns tempos, daria pulos de alegria quando te voltasse a ver. Fiel, é das palavras que melhor se adequam a um animal de estimação. E depois de todas estas demonstrações de afecto, lealdade e confiança, ainda há quem consiga fechar os olhos e deixar o seu companheiro por aí, abandonado.
31.1.11
Basta olhar à nossa volta para ver o quão estranho está o mundo. Hoje em dia fumar é algo completamente normal que faz parte das vidas de quase toda agente. Aliás, anormal é ter chegado a uma certa idade sem nunca ter, pelo menos experimentado um cigarro. Porque toda a gente o faz. Do mais novo ao mais velho, passeiam pelas ruas e em cada momento em que a vontade pede, procuram no bolso do casaco, ou no fundo das malas, o maço de tabaco. Pegam num cigarro, acendem-no e soltam pequenas nuvens de fumo, uma de cada vez. Para nós, para nossa sociedade super evoluída, é uma coisa super banal chegar ao portão de uma escola na hora do intervalo e ver uma multidão a fumar. Não só professores como também alunos, cada vez mais novos, cada vez mais crianças. Ali, docentes e estudantes partilham algo em comum, como se fosse algo que os aliviasse da rotina diária, sendo isso mesmo parte da rotina.
Normalmente, se perguntamos a alguém porque é que começou a fumar a resposta é quase sempre a mesma: "Não pretendia ficar viciado. Comecei por fumar com amigos, em festas, se alguém me oferecia um cigarro eu aceitava." E assim passaram de fumadores socias a fumadores a sério. As desculpas são idênticas: alivia o stress, acalma, emagrece, etc, etc, etc. A mim custa-me a acreditar que nunca sentem remorsos. No momento em que se preparam para irem fazê-lo mais uma vez, será que nunca fixaram o olhar naquele cilindro branco e perguntaram porque estavam naquela situação? Será que nunca pensaram no mal que fazem a si próprios? No fumo que os seus pulmões já acumularam e que não vai de lá sair nunca? Eu acho que por muito que se tentem enganar, a si próprios e aos outros, em como fumar lhes sabe bem, por vezes têm o seu sentimento de culpa e raiva para consigo próprios.
De certa forma, podemos dizer que é suicidio. Destroem todos os dias uma pequena parte de si. Caminham para a morte lenta e dolorosa. Mas como isto tudo se processa a longo prazo, se algum fumador morrer de cancro de pulmão, nunca ninguém diz que ele se suicidou. Infelizmente, é isso que fazem. Matam-se. Afogam-se no seu próprio fumo e afogam os outros. Poluem a vida daqueles que os tentam ajudar. Não ouvem, ou não querem ouvir, os apelos à mudança.
E, calmos, vistos como perfeitamente normais pela sociedade, continuam a libertar as suas pequenas nuvenzinhas negras.
24.1.11
Entras em casa, tomas um banho de água quente, vestes um pijama, acendes a lareira e aconchegas-te no sofá. É uma óptima rotina. A rotina de muitos de nós, talvez. E para ti é algo perfeitamente natural pois sempre pudeste fazer isso. Porque não continuar a fazê-lo se te faz sentir bem? Entretanto ligas a televisão. Escândalos daqui, escândalos dali, hoje em dia aproveitam tudo e mais alguma coisa para notícia desde que cative a atenção das pessoas, desde que as faça manter os olhos colados ao pequeno ecrã. E então os teus ouvidos despertam quando a apresentadora refere o número médio de sem-abrigos que se encontram actualmente nas ruas das cidades de Lisboa e do Porto. Eles não têm água para tomar um banho quente, não têm sequer um pijama, as suas roupas são simples farrapos encontrados aqui ou ali ou doados por alguma espécie de instituição de caridade. E, muito obviamente, não têm uma lareira onde se possam aquecer. Humildes, sem grandes esperanças que as suas vidas melhorem, vagueiam de banco em banco de jardim, de caixote em caixote, apenas com a pouca roupa que trazem vestida e, quem sabe, uma manta velha achada perto de um contentor do lixo. Pensas na última noite. Em como dormiste no meio de lençóis de flanela e cobertores e te queixaste do facto de teres acordado com os pés frios. Pensas na última noite. Nas temperaturas negativas que se fizeram sentir em quase todo o país e na forma como estas pessoas enfrentam o frio diariamente. Pensas neles. Pobres, sujos, gelados, lutando por um pedaço de pão a cada dia. Lutando para sobreviver. Entretanto levantas-te, jantas e voltas para o sofá. Desta vez para ver um filme que está começar num outro canal qualquer. E esqueces aquilo em que pensaste há tão pouco tempo. Esqueçes os vagabundos que se dispõem à volta de uma fogueira improvisada para conseguir um pouco de calor, físico e humano. É verdade que sozinho não podes fazer nada. Mas imagina que somos todos assim. Que as realidades nos chocam ao ouvir falar delas, mas que se esquecem facilmente já que não é nada directamente relacionado connosco. Há coisas que podemos mudar, juntos. Apenas se não as esquecermos. Apenas se quisermos.
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